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sexta-feira, 27 de maio de 2016

O caso Patrícia Abravaneu e Homofobia





O caso ocorrido com as declarações da filha de Silvio Santos é realmente muito interessante, pois apesar de toda a polêmica causada (em parte justa, outra não), creio que a posição defendida por Patrícia Abravanel é a mesma de uma parcela significativa de nossa atual sociedade: a dos “tolerantes”.
O termo tolerante nunca me agradou muito quando aplicado em determinadas situações, pois ele denota uma certa relação entre certo e errado que não acho cabível em questões como orientação sexual, gênero, racial ou religiosa. Afinal, você só é capaz de tolerar aquilo que, no fundo, considera errado. A tolerância nada mais é do que discordar de uma coisa e ainda assim ser capaz de conviver com ela. Salvo, é claro, certos limites.
Nesse caso, quando ela fala que não é contra o “homossexualismo”, mas que não acha normal, creio que ela reflete sim a opinião de muitas pessoas. Pessoas tolerantes que aceitam que exista homens e mulheres homossexuais, mas não desejariam isso para seus filhos. Ou, que concordem que eles possam morar juntos, mas não com o casamento entre iguais. Que toleram que existem pessoas que se relacionem com o mesmo sexo, desde que as famílias normais não sejam obrigadas a conviver com isso, seja vendo na televisão ou com demonstração públicas de afeto.

Enquanto não retirarmos essa visão “heterocentrica” de nossa sociedade, não vamos parar de olhar a questão da orientação sexual por fora do embate do certo contra o errado. Onde temos o caminho correto e os desvios. Nessa ótica o máximo que poderemos ter é uma sociedade “tolerante”, que ainda enxerga como erro, mas engole o sapo. O que não é saudável. “MAS”, se formos lembrar que vivemos em uma sociedade onde pai e filho são agredidos na rua por serem confundidos com um casal, ou onde um político claramente homofóbico é eleito com a maior votação de sua região, então tolerância já é alguma coisa. Longe do ideal, mas alguma coisa.



Um convite para falar sobre a ideologia do gênero

"Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino".
 BEAUVOIR, S. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.




Esse trecho foi utilizado pelo ENEM 2015 como uma de suas questões para a área de Ciências Humanas. E desde então, causou um grande reboliço com memes estourando pela internet. A maioria deles, infelizmente, sem pé nem cabeça. Então, por que não explicar um pouco sobre o que é ideologia de gênero. Não custa nada tentar, mesmo que acredite que muitos não irão ler até o fim.
Antes de entender o que é Ideologia de Gênero, temos que saber diferenciar três categorias que, apesar de semelhantes, trazem significados muito distintos: Sexo, orientação sexual e identidade sexual (ou identidade de Gênero). O sexo é o mais simples, pois define a nossa questão puramente biológica. Nascemos do sexo masculino, feminino, ou, em casos mais raros, hermafroditas (com características dos dois sexos) e assexuados (carecendo de características que possam definir com precisão o sexo). Orientação Sexual também é relativamente simples, pois se define como um individuo se relaciona afetivamente com os sexos. Se ele sente atração pelo mesmo sexo, sexo oposto, ambos, ou nenhum em especial. Dai heterossexual, homossexual, bissexual e outras tantas definições que temos hoje.
A identidade sexual, por outro lado, já é mais complexa. Pois ela diz respeito à uma série de comportamentos, valores e responsabilidades que são culturais e sociais. Como assim?
Vamos por partes. Quem de nós nunca ouviu a célebre frase: "Fulano tem que começar a agir como homem", ou então "Ciclana que é mulher de verdade". Podemos perceber só por ler essas frases que elas não fariam o menor sentido se, para uma sociedade, ser homem ou ser mulher fosse algo facilmente definido pelo sexo, correto? Ou seja, nasceu com pênis é homem e vagina é mulher. Pois é, é mais complicado.
Se dizemos, por exemplo, que fulano não é homem por ser covarde, logo podemos deduzir que, ser homem em nossa sociedade é também ser corajoso. Ou se alegamos que ciclano não é homem por ter prometido uma coisa e não cumprido, logo dizemos que para ser homem é necessário ser responsável com sua palavra. Ou ainda, se beltrano é menos homem por ter traquejos femininos, então ser homem é necessariamente ter atitudes másculas. Essas questões, por mais que possam ser naturais para alguns, não são biológicas. Não está detalhado no cromossomo Y de ninguém a coragem, a responsabilidade ou outras coisas que são culturais. Como também, esses mesmos valores podem se modificar, dependendo do lugar onde você se encontra. Por exemplo, ser homem para os judeus, é um estado alcançado após se concluir o bar mitzvá. E ser mulher para o islã ortodoxo, é andar coberta dos pés a cabeça. Se formos nos basear nisso, então podemos concluir que no Brasil quase não temos homens e mulheres. Devemos ter, sei lá, alguma outra coisa.
Nesse sentido, vale pensar por que a ideologia de gênero é tão importante para movimentos sociais, em especial para o feminismo. Por que ela desconstrói coisas que parecem em nossa sociedade como naturais. Não é o segundo cromossomo X que define que uma pessoa deva ganhar menos que a outra exercendo a mesma função em uma empresa, ou que diz que ela ficará responsável pela casa, enquanto o outro para o trabalho, ou ainda que deva ser necessariamente "bela, recatada e do lar", ao invés de outra coisa qualquer que queira ser. Parece óbvio não é? Mas acredite, para muitos não é. E quanto mais vemos as atrocidades que ocorrem em nossa realidade, percebemos sim que é algo em que precisamos pensar. Assim poderemos avaliar melhor por que alguns se sentem no direito de  desrespeitar mulheres na rua ou até possuir a sensação de direito de usar e abusar do corpo de meninas como bem entendem.
Agora explicado, você meu amigo tem todo o direito de discordar da ideologia de gênero. Só não tem o direito de ser idiota. Critique com base. Entenda antes de falar mal. Caso contrário, sua piadinha perde completamente a graça e apenas atesta a sua ignorância.


sábado, 27 de junho de 2015

Alguns comentários a respeito desta imagem.



Esta imagem tem circulado como forma de protesto as recentes manifestações favoráveis à decisão estadunidense de aceitar o casamento homoafetivo em seu código civil. Incomodados com a recente onda arco-íris que invade o facebook, estes manifestações resolveram apontar para problemas ainda mais sérios presentes em nossa nação e em todo o mundo. Motivo este muito louvável, todavia pensemos mais a fundo.
Em primeiro lugar, fico me questionando por que tantas pessoas que até então nunca pareceram se preocupar com o problema da fome no Brasil e no mundo (digo isto pois não costumo ver essas pessoas postando ou fazendo nada contra isso durante todo o resto de seu tempo que não seja agora) resolveram se pronunciar a favor desta causa utilizando de uma crítica as atuais reivindicações. Isso só me leva a crer que utilizar o problema da fome, explorando a imagem chocante de uma criança subnutrida, serve apenas para criticar aqueles que se manifestam a favor dos direitos homoafetivos, e não como real interesse em lutar contra a fome como um problema sério que ela é. Creio que isso não seja muito nobre da parte destes manifestantes.
Em segundo lugar, acho interessante também como essa “modinha” passou a irritar muitos internautas. Digo isto pois “modinhas” são o que não faltam nas redes sociais. Filmes, séries, imagens são verdadeiros campeões de postagens maçantes e repetidas. As imagens do “me solta miga”, por exemplo, os Spoillers sobre Game of Thrones, ou até mesmo o habito de se postar uma foto de perfil com fundo escuro para mostrar a todos quando se esta de luto por alguém. Existem várias modinhas que passam despercebidas pelas pessoas, mas que se mostram profundamente indignadas com essa onda arco-íris  Será mesmo incômodo com relação ao fato de sua tela estar ficando bem colorida ultimamente, ou um total desconforto em saber que opiniões de extrema direita veiculadas por ícones como Silas Malafaia, Marcos Feliciano e cia não são tão compartilhadas quanto se julgavam ser?
Dessa forma, apoiar causas e lutar por direitos é um direito de cada um. E nos sentir incomodados com os outros, também. Mas ficam as perguntas: o casamento entre pessoas do mesmo sexo vai mudar tanto a sua vida assim? Ele em alguma medida inviabiliza o casamento entre pessoas de diferente sexo?  Foi proibido ser heterossexual, assim como durante muitos anos foi proibido ser homossexual?

Enfim, não é preciso ser gay para ser contra a homofobia, não é preciso ser negro para ser contra o racismo, e nem mulher para ser contra o machismo. Assim, eu me coloco a favor do direito das pessoas colocarem uma foto colorida em seu perfil de facebook, mesmo que eu não tenha interesse em postar uma para mim.  Fica a dica.