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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Os perigos de uma única história


Tal pensamento me veio graças a um vídeo assistido na aula de Didática Especial em História, ministrada pela Professora Cinthia Araujo, da Faculdade de Educação da UFRJ. O vídeo responsável pela avalanche de pensamentos encontra-se disponível ao fim da postagem.



Eu quero contar uma história. Como? O mundo globalizado de hoje nos permite inúmeras maneiras de nos comunicarmos com o as pessoas. Sem sair de casa, temos acesso a reportagens, filmes, músicas e imagens das mais distintas regiões do planeta. Todavia, seriamos capazes de, apenas com isso, dizermos que conhecemos sim esses outros seres humanos que dividem o planeta conosco?

Teríamos nós acesso realmente ilimitado a tudo o que ocorre no mundo? Ou teríamos, na realidade, apenas uma perspectiva dessa totalidade. Uma perspectiva essa que é sim uma espécie de verdade, mas que é uma realidade incompleta. Um conhecimento que não é necessariamente uma mentira, mas que engana ainda assim.  Ilude por ser parcial, por induzir a pessoa a acreditar que só existe aquilo e não há nada para além. Ludibria por que é uma história única de um grupo que, normalmente, se apresenta como amplamente complexo e diversificado.

Em 2002 o desenho animado “Os Simpsons” levantou uma polêmica ao exibir um episódio em que a família Simpson vem ao Brasil. Em “O feitiço de Lisa”, quando Homer, Marge e companhia chegam aqui, o que nós brasileiros pudemos perceber é que, no mínimo, os roteiristas não conheciam nada de nossa terra. Primeiro, cometeram um erro geográfico gritante ao aproximarem o Rio de Janeiro do Amazonas, como se a nossa cidade carioca tivesse uma mata tão deslumbrante tão próxima de nós – salvo a Mata Atlântica, é claro. Depois, fez parecer que nossa cidade era uma eterna festa de carnaval, com pessoas dançando pelas ruas e jogando futebol com qualquer objeto que eram capazes de encontrar. E por último, se não bastasse, nossos brasileiros mais pareciam colombianos com suas camisas floridas e sotaques carregados de castelhano.

E ao que se deve isto? Sem dúvidas alguma, podemos atribuir parte do problema ao que nos aponta a escritora nigeriana Chimamanda Adichie: o perigo de uma história única. Quando falo de história aqui, não me refiro à ciência produzida nas academias, embora ela também seja parte deste processo. Refiro-me aqui a todas as formas que um grupo humano tem de se expressar para o mundo. De poderem dizer alguma coisa sobre si mesmos. Seja na música, no cinema, ou na literatura, em toda e qualquer manifestação que atravesse suas próprias fronteiras.

Se eu fosse propor um jogo para mim mesmo neste exato momento, me perguntaria se conheço tão bem a sociedade estadunidense como conhecemos à sueca. Eu, por exemplo, já li Stephen King, Stephanie Meyer, Anne Rice, só para citar os autores de fantasia contemporânea, que são meus favoritos. Eles com certeza não me deram uma visão total dos EUA. Eu não posso dizer que os conheço plenamente apenas lendo esses três nomes. Mas sem dúvidas eu posso dizer que vi um escopo um pouco maior de como estas pessoas enxergam seu mundo, ao ler sobre os lugares apresentados, caminhando com suas personagens. Agora, sobre a Suécia, li apenas o primeiro volume da Saga “Millenium”, do escritor Stieg Larsson. E se eu fosse me basear única e exclusivamente nele para definir a sociedade sueca, chegaria a triste conclusão que todos os suecos são covardes espancadores de mulheres. Triste não? Da mesma forma que se eu usasse “Crepúsculo” para definir as jovens americanas, diria que todas elas são meninas sem sal atrás de seus príncipes encantados para libertarem-nas de suas vidas medíocres. Desculpem a falta de delicadeza.

Neste sentido, o que está em jogo não é o fato de contar ou não uma mentira, mas de poder contar ou não uma parte de uma verdade. O fato de só conhecermos uma historia africana não quer dizer que na África só existam pessoas passando fome, morrendo em guerras sem sentido e se contaminando com AIDS. É claro que estes são problemas de alguns países do continente, mas não podemos resumir uma área tão grande a esses simples esquemas. Da mesma forma, podemos sim dizer que no Brasil gostamos de futebol, de carnaval, que temos matas deslumbrantes e selvagens, que temos até mesmo colombianos entre nós. Mas dizer que o Brasil é só isso, me faz perguntar: mas que diabos quem eu sou? Não gosto de futebol, não pulo carnaval e não falo espanhol. Mas sou brasileiro, embora ainda esteja tentando definir exatamente o que isso significa em um mundo tão pósmoderno quanto o nosso. Porém, isto é outra história.

É por isso que considero importante a capacidade de contar histórias. Sejam biografias, romances, poesias. A literatura, entre outras produtoras de conhecimento, tem sim a capacidade nos libertar um pouco desse simplismo da historia única. De desafiar nossos preconceitos e nos abrir para outras possibilidades de enxergar outros povos. Se não para ver como eles são – nos livros de historia ou nas biografias – pelo menos para saber como pensam – através da fantasia e da poesia. Não importa como, mas devemos sim tentar um esforço de enxergar as pessoas que se escondem por detrás das histórias.






sábado, 28 de abril de 2012

Ser escritor, ser historiador.


Em um momento atual de recapitulação pude chegar à conclusão de que os anos de 2011 e 2012 têm sido marcantes para a definição do meu ofício, pois além de ler e escrever mais, também é neste momento que me inicio no mundo das publicações. Em janeiro de 2011, saiu “De Corpo e Alma”, meu primeiro romance publicado. Em junho do mesmo ano, minha primeira resenha crítica, acerca do livro “A História Pensada”, no Caderno Universitário de História da minha universidade. Em 2012, meu primeiro conto de terror está com publicação marcada para este mês, pela editora Estronho, e também estreei no lançamento de artigos acadêmicos com meu primeiro trabalho de história, também lançado pelo CUH. E agora, com “O Véu” bem encaminhado e minha monografia de conclusão de curso transitando bem, posso dizer que estes dois anos foram marcados por intensas produções.

Sem dúvidas, estas foram produções muito diversas e que por muito tempo me deixaram preocupado pelo fato de eu estar transitando por dois caminhos distintos e que poderiam atrapalhar o progresso um do outro. Mas hoje, percebo que este foi um ledo engano, pois não só foi e é possível conciliar as duas vertentes como descobri que elas são mais convergentes do que antes podia supor. E mais ainda, atualmente tenho a consciência de que se eu quiser ser um bom historiador, preciso ser um bom escritor fantástico, e se eu quero ser um bom escritor, preciso ser um historiador melhor.

Eu sei que a fantasia cuida das coisas da imaginação, enquanto a história do mundo empírico. Todavia, esses dois mundos são mais próximos do que consideramos possível. A fantasia depende da história, das coisas reais, do mundo empírico para construir, ela própria, seu universo. É da nossa existência, da nossa tradição, que tiramos a base para sermos capazes de construir nossas próprias realidades alternativas. E a História depende da fantasia, pois é só e somente só através dela que conseguimos acessar esse tempo passado que nos é tão distante. A imaginação histórica, capaz de dar sentido a um documento, um vaso ou qualquer outro fragmento de um tempo que passou.

Quando escrevo história, sou rigoroso, tenho uma metodologia própria a seguir e um compromisso com aquele que vai ler meu texto. Quando escrevo literatura, também. Com a ficção, minha imaginação pode alcançar voos mais altos, mas é também esta mesma imaginação – em doses mais controladas - que garante minha criatividade em pensar um objeto novo para pesquisas. Os homens precisam de história para dar sentido às suas vidas, e precisam de literatura para poder enxergá-la com mais cores. A história abre caminhos para se conceber o passado, a literatura nos volta para o futuro. A história lida com o improvável, a fantasia com o impossível. E todos esses trabalhos somente são possíveis de serem realizados com imaginação.

Nesse sentido, fico feliz em saber que posso trilhar por dois caminhos repletos de potenciais e utilizar uma de minhas maiores qualidades, a criatividade, para tentar dar minha contribuição para este mundo. Sei que este artigo está com cara de desabafo, e não de uma reflexão tal quais as postagens a que estou acostumado a publicar no blog, contudo é este exatamente o meu objetivo: dividir um pouco esta experiência.   

domingo, 15 de abril de 2012

O Véu, publicado.

Saudações galera!
Depois de muito trabalho e espera, tenho o imenso prazer de divulgar que acabo de assinar contrato com a Editora Subtítulo para publicação impressa de “O Véu”.
A Subtítulo é uma aspirante editora no mercado carioca. Tendo iniciado seus trabalhos meados do ano passado, com seus primeiros livros lançados na Bienal do livro do Rio de Janeiro, ela ainda promete crescer bastante e eu pretendo embarcar nessa deliciosa aventura com ela. Estou imensamente feliz com esta oportunidade e espero poder colaborar ao máximo para o sucesso desta família que me acolheu de braços abertos.
Gostaria muito de agradecer a todos aqueles que leram, comentaram e divulgaram, dedicando tempo e carinho, para que meu livro pudesse ganhar notoriedade na rede.
Muito obrigado a todos vocês!
Ainda não tenho ainda muitas informações acerca do lançamento. A única previsão é que saia para fins deste ano, mas qualquer novidade, manterei o blog atualizado. Então, mantenham-se por detrás do Véu e fiquem por dentro.
Realmente, 2012 promete!
Abraços a todos.