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sábado, 20 de julho de 2013

Coisas que valem a pena divulgar: lançamento de "O ladrão de destinos", de Nanuka Andrade

Saudações, amigos.

No dia 16 de Julho, no Shopping Iguatemi de Campinas-SP, ocorreu o lançamento de "O Ladrão de Destinos", um dos trabalhos de Nanuka Andrade, pela editor Subtítulo, que se lança na carreira da escrita fantástica.
O livro promote muita fantasia e emoção e estou doido para que o meu chegue em casa logo (risos), pois infelizmente não fui capaz de estar lá prestigiando pessoalmente.
Contudo, graças ao poder da internet, pude acompanhar alguns momentos por fotos, mesmo que postumamente.
E aqui estão elas:










Desde já, desejo muita sorte ao Nanuka e também ao pessoal da Subtítulo, que vem fazendo um excelente trabalho.
Em breve, resenha do livro...

sábado, 13 de julho de 2013

EGO, SUPEREGO, ID


Usando e abusando de meus conhecimentos rudimentares de psicanálise, gosto de pensar e repensar como estes simples elementos são tão observáveis na escrita literária. Em especial o último. Ego, a maneira como nos conhecemos e nos apresentamos ao mundo, resultado de nossos desejos mais íntimos dialogados com as pressões do mundo exterior; Superego, aquilo que está além de nós, a sociedade que nos constrange e tenta nos moldar a seus desejos; Id, a parte mais primitiva de nosso ser, nosso subconsciente, aquilo que nem mesmo nós sabemos como lidar ou sequer entender sua força e sua fome.

Aplicando isto a criação literária, podemos dizer que um livro nada mais é do que esta simples representação da mente elaborada por Freud. Afinal todos nós temos desejos de criações, das mais diversas ordens, de coisas que as vezes sequer damos conta de que desejamos, ou que são tão destoantes do resto do mundo que preferimos ignorar para não sermos lesados. Ao mesmo tempo, possuímos elementos externos a nós que de certa forma ditam os rumos de seu trabalho: o público, as editoras, a censura, todos eles com desejos próprios que tendem a moldar seu futuro trabalho, que necessita, para sobreviver, de agradar a todos esses grupos.

O resultado deste embate, entre desejos do autor e pressões do mercado, geram o livro, o ego. Aquilo que consegue ser produzido pelo duro caminho do meio do esforço literário. Por mais que muitos ainda acreditem no lema da arte pela arte, como se o artista pudesse estar completamente alheio ao mundo a sua volta, a verdade é que todos nós somos pessoas que vivem no mundo, e não podemos realizar algo que não esteja na ordem do mudando. E aqueles que tentam realizar um trabalho totalmente a parte, além de estarem se iludindo, também acabam por criar franksteins, tão alheios ao mundo que a qualidade se perde em meio a esquizofrenia de seus autores.

Não digo com isso que não exista criação, que não haja nada de inédito na escrita ficcional. Pelo contrário, há muito de inédito e de fantástico no ato de criar literatura, todavia não podemos atribuir esse fruto ao resultado do esforço exclusivo do gênio artístico, ignorando tudo o que acontece em seu entorno que, de alguma forma influencia no seu trabalho, constrangendo-o e impactando até assumir a forma que ele tem agora.

Somos o resultado daquilo que podemos ser contra o que queremos ser, daquilo que sonhamos para nós contra aquilo que os outros esperam de nós, dos nossos potenciais contra nossas limitações. Essa é a nossa condição, nosso eterno combate. E o artista não foge disto. Ele, assim como todos, luta neste cenário e “eus” e “outros” procurando estabelecer seu espaço. E muitas vezes a forma de conseguir este espaço e criando para si o personagem de artista. E marcar seu território através de seu trabalho.

sábado, 22 de junho de 2013

Saudades do Ócio


blog tão desatualizado, começo a sentir vergonha dele. Não que eu não goste mais de escrever, mas está cada dia mais difícil encontrar tempo e inspiração para tanto. A vida profissional é cansativa, e encontrar brechas para se dedicar ao trabalho intelectual é uma tarefa tão difícil que a fadiga corporal e mental impossibilitam.
Confesso que faz muito tempo que não posto aqui, e agora que olho este

Agora entendo o que Platão dizia acerca da necessidade do ócio, pois realmente é complicado manter uma carreira e um hobbie ao mesmo tempo. Ter aquele momento para pensar quando outras preocupações tomam conta da cabeça. O jeito mais simples seria tentar a feliz coincidência de mesclar os dois e seguir uma profissão que seja capaz de deleitar ao mesmo tempo em que lhe garante ascensão profissional.

O problema é que quando seu hobbie é pensar, o Brasil do séc. XXI não se mostra como o melhor espaço para lhe garantir boas oportunidades. Então o jeito é tentar se virar com duas atividades: uma para conseguir dinheiro, outra para elevar o espírito. Pois a falácia do “trabalho enobrece o homem” não cola. Por que o trabalho sozinho não enobrece ninguém.

Enfim, apesar do tom deprimente deste pequeno manifesto, não tenho por intuito desmotivar ou me lamentar para ninguém. Na verdade, acredito que escrevo este texto como forma de fazer um alerta acerca de uma cruel realidade. Cruel, mas que precisa ser vencida, e que existem estratégias para tanto.

Em um mundo corrido como o nosso, onde o tempo vale cada vez menos, a disciplina é a melhor solução. Eu realmente caí na ingenuidade de acreditar que poderia continuar como o meu ritmo dos tempos em que fazia apenas faculdade e estágio, em que os horários vagos em casa eram dedicados exclusivamente à leitura e à escrita.

Pois naquele tempo, todos os meus minutos vagos eram direcionados ao computador e às leituras, onde eu produzia bastante. Mas agora, qualquer segundo folgado só consegue ser usado para o descanso. Se eu estiver em casa, com certeza vou querer descansar, fazer uma leitura mais leve, que me garanta prazer mas que não necessariamente vá trazer grandes avanços na minha forma de pensar. Ou então assistir a um filme ou uma série, que podem trazer grandes lições ou assuntos, mas que não são suficientes para quem gosta do labor crítico.


Nesse sentido, criar o tempo é fundamental. Tornar o hobbie, quase que uma obrigação, enganar o corpo e a mente, pelo menos parcialmente, para fazê-los acreditarem que você não está fazendo aquilo que gosta apenas por que quer fazer, mas porque tem que fazer. Pois quando elas passam a ser obrigações, por mais cansados que estejamos, ainda assim conseguimos tirar forças, não sabemos donde, para realizar... Isso talvez seja nossa maior capacidade.

Dessa forma, começo a tentar me organizar. Reservar horários que até então estavam completamente disponíveis e ocupando-os com minhas obrigações/lazer. Ir para locais onde eu só poderei fazer isso, ao invés de retornar para casa onde o confortável sofá, o divertido cachorro, ou a irresistível cama vão me distanciar de meus objetivos para comigo mesmo.

Talvez essa seja a única maneira, seja de forma pessimista ou otimista, pois não sei como estas palavras podem estar sendo lidas. Mas acho que vale a penas tentar. Pois o ócio poderia ser a solução para a pacata Atenas dos primórdios do ocidente, mas se queremos manter viva a arte de pensar no terceiro milênio, temos de nos esforça um pouco mais.

Se isso vai dar certo... Bem, vamos acompanhar e ver no que vai dar.