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domingo, 25 de abril de 2010

Revista Digital "Fantástica"


Saudações amigos e leitores do por Detrás do Véu. É com muito ânimo e alegria que venho a vocês divulgar um novo projeto que promete ser um prato cheio para os aficionados por literatura fantástica e também uma mão na roda para muitos autores nacionais do gênero.
Estou falando da Revista Digital Fantástica, com estréia prevista para o dia 25 de maio, idealizada e trabalhada pelo blogueiro Luiz Ehlers (Blog Perguntas & Respostas) e os autores Dhyan Shanasa (O Livro de Tunes); Felipe Pierantoni (O Diário Rubro); Leandro Schulai (O Vale dos Anjos); Vincent Law (O Mundo de Avalon).
A Fantástica será uma revista com conteúdo voltado exclusivamente para a literatura Fantástica Nacional, incluindo matérias, resenhas, entrevistas e muito mais atrativos sobre o gênero. Um espaço aonde autores e leitores do Gênero poderão se encontrar e discutir, tendo cada um o seu espaço de atuação.
Para aqueles interessados, é só clicar na imagem que, a partir de hoje, ficará exposta na parte superior do Blog. Espero sinceramente que curtam essa iniciativa e que possamos dar a literatura fantástica nacional o carinho que ela merece.
Boas leituras.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

E-books – Amigos ou Inimigos?

Muito comum é a crítica feita ao império da internet, que consegue disponibilizar produtos variados de forma gratuita. O cinema já foi afetado, a música e, também, a literatura. Sites, blogs, programas de compartilhamento. São muitos os meios hoje da mídia digital de conseguir disponibilizar Livros, CDs, DVDs e outras produções culturais para o grande público. Mas vamos nos ater aqui apenas a literatura.
Atualmente, é muito grande o número de livros digitalizados e também é grande o número de editoras que reclamam desse fato, alegando que a internet estaria roubando seus clientes. Mas até que ponto essa informação seria verdadeira, ou, se for, como agir nesses tempos?
Concordo que o download de livros é muito comum hoje em dia. Eu mesmo já li vários em formato digital. Concordo também que ele oferece uma opção mais barata do que os onerosos originais impressos. Mas será verdade mesmo que os e-books são os grandes vilões e que é por culpa deles a pouca venda de livros no Brasil?
Pensemos um pouco. Acho que todos que gostam de ler tanto quanto eu irão concordar que o livro em papel tem seu valor. Pois sempre é melhor termos o livro impresso em nossas estantes, na nossa mesa de cabeceira, de forma que possamos recorrer a eles nos momentos que quisermos e desfrutar de sua agradável leitura em qualquer lugar, seja na cama, no banco da praça, no chão da sala, ou no banheiro. Enfim, as possibilidades são muitas, e que vão além do ficar sentado na frente do PC, numa cadeira muitas vezes desconfortável e recebendo a luminosidade do monitor que pode prejudicar a visão. Estou, por acaso, sendo exagerado? Acho que não.
Sem dúvida livros impressos são muito mais interessantes. E se eu tivesse condições, com certeza teria que me mudar de casa, pois a minha ficaria congestionada de tantos e tantos livros. Mesmo os que eu li no PC, pois gostaria de tê-los comigo para o caso de ter qualquer vontade súbita de relê-los, eles estarem acessíveis a mim. Mas então, qual seria o problema? Acho que eu já dei a dica, não é mesmo?
Posso parecer apologético em minha frase, porém não é essa a intenção. Mas uma coisa nós temos que concordar: o acesso à cultura melhorou muito por causa da pirataria. Livros, Filmes, Documentários... Tudo está mais fácil e acessível com a internet.
Agora pensem comigo: mas se os livros em papel são muito mais interessantes do que os e-books, os digitais seriam um empecilho a venda de impressos? Eu acho que não. Pelo menos não totalmente. Isso por que, para quem gosta mesmo de ler, o livro digital não é interessante se o outro estiver disponível. Mas os livros estão caros, limitados a uma parcela da população. Muitos não foram traduzidos para o nosso idioma. Assim, caso os queiramos, além de termos de nos virar na língua estrangeira, teremos de pagar preços exorbitantes devido à importação de um exemplar de outro país. Agora a lógica: Se você é uma pessoa que vive de um salário moderado, que tem família e não possui condições de comprar livros, por acaso será a falta de um e-book que vai incentivá-lo a comprar um numa livraria? É claro que não. Se você não tem condições de comprá-lo, não vai comprá-lo independente de ter ou não uma versão pirata. A única diferença será que você não vai lê-lo e pronto.
Agora, se você possui recursos para comprar, será que vai mesmo preferir ler em frente ao computador sujeito a todos os desconfortos que eu já citei, ou vai preferir uma versão mais cômoda? A resposta não é muito difícil.
O que limita o lucro das editoras é o pouco incentivo a leitura, os altos preços dos livros, e não a atuação dos e-books, pois estes, ao contrário, por mais que muitos não queiram ver, estão a incentivá-la. Isso mesmo. Os e-books incentivam a leitura. Pois eles a popularizam.
Aqui, por exemplo, vão alguns motivos do por que eu acho que os e-books ajudam a incentivar a leitura:
1. Tradução de títulos não disponíveis aqui no Brasil: Há muitos livros de autores estrangeiros que ainda não chamaram a atenção de nenhuma editora nacional e por isso não estão disponíveis em Português. É o caso, para citar exemplo meu, do Livro “Fallen” de Lauren Kate e da saga Romances de Clã, que começou a ser traduzido pela editora Devir, mas eles interromperam o processo. Eu não sei inglês e se não fosse pela atuação de tradutores on-line, jamais os poderia ler.
2. Incentivo a tradução: Partindo da observação anterior, a tradução de livros digitais também ajuda a divulgar os livros de um autor em diferentes países e também o trabalho voluntário de leitores que, conhecendo outra língua e querendo praticá-la, ou então, futuros tradutores de livros. È uma forma desses grupos de futuros tradutores, exercerem seu trabalho e ganhar experiência.
3. Divulgação de um trabalho. Por mais que um autor não ganhe lucros monetários com a venda de e-books – lucros esses que ele não ganharia de nenhuma forma, visto que, como eu já disse, quem não tem dinheiro para comprar um livro impresso não vai comprar de modo algum – o autor pode ganhar prestígio e renome o que o ajuda na divulgação de seu trabalho, seja ele aquele que foi digitalizado, seja um próximo. Paulo Coelho mesmo é um exemplo. Pois o autor criou um site – Pirate Coelho – e nele disponibilizou todos os seus livros para livre download, pedindo unicamente para que seus leitores comprem o original impresso se gostarem, ou, se não puderem, apenas passá-lo adiante, como um trabalho social. E o que o autor nos conta é que as vendas de seus livros só aumentaram depois dessa tomada de decisão.
E para encerrar a minha forma de pensar, eu gostaria de chamar a atenção para um exemplo que comprova o que eu estou dizendo. Vamos pensar nas duas maiores sagas dos últimos tempos: “Harry Potter” e “Crepúsculo”. Ambas são sagas mundialmente conhecidas e que geraram para suas autoras grandes quantias de dinheiro. Agora falemos sinceramente: existem livros que foram mais pirateados do que esses dois? E por acaso vemos Stephanie Meyer ou J. K. Rowling chorando miséria de alguma forma? E por acaso a Rocco ou a Intrínseca deixaram de ganhar dinheiro com isso? Lógico que não, mas o que aconteceu foi exatamente o oposto e, seguindo a linha de divulgação, mais e mais pessoas leram essas duas sagas e com isso, mais e mais pessoas comentaram sobre elas e propaganda é a alma do negócio.
O sétimo livro mesmo da Saga Harry Potter chegou ao Brasil semanas antes de estrear nas livrarias e muitas pessoas leram a versão digital, pois não agüentava de ansiedade. E muitas dessas mesmas pessoas que leram, compraram a versão impressa e quando não, puderam dizer, sem sombra de dúvidas: “Ele é foda!” Pronto. Isso já ajudou bastante na divulgação.
Resumindo minha forma de pensar. Acredito que não adianta lutar contra a internet, pois ela veio para ficar. Eu mesmo hoje, se tivesse me batido um arrependimento de ter disponibilizado “O Véu” para download, nada mais poderia fazer, pois seria impossível, na altura do campeonato, retirá-lo, visto os inúmeros blogs e sites que o estão divulgado e também disponibilizando para download... Ah, e só para constar, muito obrigado aos que estão divulgando e disponibilizando meu livro. Continuem divulgando e lendo, pois esse é o mais importante. Rsrs : ).
Enfim, os e-books podem ser amigos ou inimigos. Basta você saber como usá-los

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Análise Fílmica: Saber e Poder - O exorcismo de Emily Rose.*


Sempre fui defensor da idéia de que, muito além de um mero trabalho imaginativo com fim a desligar quem prestigia da realidade, a Fantasia tem como foco o mundo real aonde ela é criada. A fantasia é um mundo criado por homens que vivem na realidade e por isso, também trás questões que servem a essa mesma realidade.
Acredito que um dos principais trunfos de um trabalho fantástico é o de poder trazer temáticas contemporâneas sem fazer uma menção direta, podendo assim, criticar, levantar questões ou formas de pensar sem que se torne algo muito agressivo a quem escuta ou demasiadamente desconfortável por apresentar problemas nossos. Eu fiz uma análise parecida com o Filme Avatar (O eu e o outro – uma análise de Avatar) e agora faço o mesmo com essa magnífica produção baseada em acontecimentos reais.
O exorcismo de Emily Rose narra a história de julgamento do Padre Richard Moore, acusado de homicídio negligente após submeter a jovem Emily Rose à um ritual de exorcismo quando, de acordo com a acusação, ela claramente carecia de um tratamento psiquiátrico a fim de se curar de seus males mentais. Porém, ao que eu chamo a atenção é que muito além de cenas de debate teológico, uma coisa interessante a ser observada nesse filme é a relação que se dá entre Saber e Poder. Até que ponto essas duas instâncias se relacionam e influenciam uma na outra.
Essa análise que agora faço foi na verdade um trabalho realizado por mim e mais um grupo de amigos para uma disciplina na minha faculdade intitulada “Poder e Religião no Mundo Antigo”, ministrada pelos professore se doutores Marta Mega de Andrade e André Leonardo Chevitarese. E no trabalho, tentamos discutir como o filme mostra essa relação entre Saber e Poder através do discurso dos tribunais.
Baseados no Filósofo Michel Foulcalt, defendemos a tese de que um Saber, ou seja, um conhecimento, quando empregado numa sociedade é capaz de criar um discurso de poder, gerando hierarquia em diferentes ordens e submetendo os leigos ao poder dos especialistas.
Mas como isso se demonstra no filme? Simplesmente por que no “Exorcismo de Emily Rose”, temos a disputa de dois discursos de Saber tentando provar se o padre Richard Moore era ou não culpado. De um lado — o da acusação — temos o promotor Richard Thomas, que defende a tese de que Emily Rose jamais esteve possuída como argumentava o réu ou os familiares da vítima e sim que ela era epilética e que necessitava de um tratamento psiquiátrico.
Já a defesa, representada pela advogada Erin Brume, procura defender a tese de que o acusado tentava ajudar a vítima da melhor forma que conhecia, através de sua própria forma de conhecimento – o religioso.
Mas saindo do básico, uma passagem do filme realmente boa e que eu acho que daria uma boa discussão, é essa aqui, aonde a advogada interroga uma testemunha — um médico psiquiátrico — que garante que Emily Rose sofria de desordem de epilepsia psicótica. Um conceito que, só para constar, foi ele próprio quem criou. Mas o que interessa é a passagem que vai se seguir. Quando Erin questiona o médico, qual seria então o melhor tratamento para Emily já que o exorcismo não seria o recomendado e o Dr., Briggs responde que no lugar do médico que cuidou dela, ele usaria de eletroterapia e lhe a obrigaria a tomar os remédios.
Erin Bruner – Teria feito contra a sua vontade?
Dr. Briggs – Para salvar sua vida? Sim..
(O exorcismo de Emily Rose - 41 minutos, aproximadamente)

E para mim, essa é a passagem de ouro do filme, pois demonstra, clara e objetivamente, em como um saber, uma forma de conhecimento, acaba ajudando na hierarquização da sociedade. E como aquele que detém o saber, é capaz de exercer o poder. O fato de Emily Rose ser diagnosticada como louca tira dela todo e qualquer direito de escolher por si mesma seu destino. E mesmo que ela não divida do conhecimento do Dr. Griggs e seja realmente crente de que o melhor para ela fosse participar do ritual de exorcismo — lembrando que ela foi exorcizada por livre e espontânea vontade —, mesmo assim, o médico teria poder de dizer a ela o que fazer.
Interessante pensar nisso ainda mais usando de outros exemplos. Vamos viajar no tempo e vivenciar o processo de Inquisição Européia e a Queima de Bruxas. Sabemos que os inquisidores tacavam as mulheres acusadas de feitiçaria nas chamas da fogueira, porém, quantos de nós sabemos exatamente qual era a lógica desse ato? A resposta: Purificação.
Isso mesmo. Tacava-se as feiticeiras no fogo, não para punir, mas pela lógica de salvar. O fogo queimaria a carne e limparia a alma dos pecados. Dessa forma a pecadora teria uma mínima chance de ir para o céu. E não importava se a “salvada” fosse ou não partidária da mesma crença, pois o padre sabia o que era melhor para ela, pois ele tinha um conhecimento que ela não: o saber religioso, o estudo da bíblia, enquanto, geralmente, a feiticeira era uma simples camponesa pagã. E por isso, ignorante. E como ela não tinha as condições de chegar ao paraíso por si só, era obrigação do inquisidor salvá-la, mesmo que isso fosse contra a sua vontade.
Se forem reparar bem, a lógica é bem parecida. Em ambos os casos, é um conhecimento que dá a determinada pessoa, o poder sobre a outra. E Michel Foucalt — mais especificamente nos trabalhos “A História da Loucura”, “Microfísica do Poder” e o “Nascimento da Clínica” — foi um homem que pensou muito nisso e nos mostrou que, por essa lógica, podemos ver relações de poder em basicamente todas as esferas sociais, aonde, aquele que detém mais saber, manda, Seja numa escola, num hospício, numa igreja ou até mesmo nas nossas casas.
Sei que muitos que viram — ou virão — o “Exorcismo de Emily Rose” são tentados ver o exorcismo de Emily Rose, ou seja, o ritual com todos os efeitos especiais e adrenalina que uma boa produção hollywoodiana exige. Mas acho interessante também — e é essa a proposta que eu faço — olhar o cinema fantástico por outra ótica e ver que ele tem muito mais a oferecer do que somente entretenimento.
 Concluindo minha forma de pensar, quero dizer que em nenhum momento estou tomando partidos, sobre o que teria sido melhor para a protagonista ou se, na Idade Média, as pessoas tinham boas intenções na hora de queimar as feiticeiras ou se ao menos criam verdadeira mente nisso. O que eu quis mostrar foi de como o discurso recheado de um Saber, de uma teoria que justifica um determinado ato, tem Poder. Isso, seja nos tempos remotos, ou nos dias atuais.**

*Esse foi um trabalho realizado por:
Willian da Silva Nascimento
Viviane Nascimento
Priscila Céspede Cupello
Patrícia Fernandes Castro
Lucas Zelesco
Caio Felipe Rosa
**Para os interessados no trabalho completo, e só acessar o link.