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terça-feira, 22 de junho de 2010

Obituário José Saramago.


Eu gostaria muito de ter escrito essa postagem antes, mas infelizmente faltou-me tempo para tanto. O que eu vou dizer aqui não é nenhuma novidade, mas minha intenção não é dar alguma notícia bombástica. Mas sim, prestar homenagem àquele que muito mereceu.
Sexta feira, dia 15 de junho, morreu José Saramago. Grande escritor, crítico e homem. Um autor que conseguiu elevar a estatuto da literatura de língua portuguesa ao patamar mais elevado, tornando-a reconhecida em termos de qualidade. Nós, seus herdeiros, com certeza vamos sofrer muito com sua falta, sejamos nós escritores de língua brasileira, angolana, ou qualquer outra descendente direta desta.
Nas palavras do cineasta Fernando Meireles, ‘o mundo ficou mais burro e cego’. E de fato ficou. Infelizmente, teremos de nos conformar com a ausência de sua crítica sagaz, de seu olhar apurado, de seu apreço pela nossa língua, e de sua coragem em falar de temas pouco explorados, ou muito incômodos.
Adeus mestre. Que nós, meros novos autores, possamos fazer por merecer o nome de escritores de língua portuguesa, que ganhou um novo significado graças ao seu trabalho.  

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Por personagens mais humanos

Esse tema foi abordado de forma parcial no artigo A ascensão do anti-herói, e por isso gostaria de dar mais algumas pinceladas nele, aproveitando para relacioná-lo com um dos meus primeiros ensaios aqui no blog, Verossimilhança, um desafio para a literatura fantástica.
E para isso, começo com a questão: qual o objetivo da arte? Muitas pessoas já deram muitas respostas. O parnasiano dizia que a arte servia apenas para ela própria: A Arte pela Arte. Nesse sentido, ela serviria apenas como um exercício estético e teria como objetivo a produção do belo. Algumas pessoas engajadas em movimentos políticos oi sociais gostam de dar o tom panfletário à suas obras, dizendo que a arte tem o objetivo de fazer a pessoa pensar os problemas da sociedade e assim ter capacidade de agir.
Eu basicamente não discordo nem concordo com nenhum desses pontos de vista. Pois para mim, a arte é mais que isso. A arte, tal como a literatura, a pintura, a escultura e a música, são manifestações que partem do emocional para atingir o racional. Através da beleza e da manutenção das sensações — medo, paixão, riso, choro — ela é capaz de transcender a ficção e atingir o espectador de forma a fazê-lo não só prestigiar a obra, mas fazer parte dela. E através dessa situação, em que o espectador se vê não só como um agente passivo, mas sim um atuante na obra, a arte é capaz de fazê-lo sentir os dramas, emoções e dilemas do personagem.
A arte transcende a razão e mexe com partes inconscientes do ser humano, e para conseguir isso — retomo a Aristóteles nessa parte — ela tem que ser capaz de fazer aquele que a prestigia se envolver com a obra. E para isso ele tem que se sentir parte daquilo. E para isso é preciso verossimilhança. Mesmo uma obra de ficção fantástica precisa criar verossimilhança. Precisa, na medida do possível, sem perder sua identidade como produtora de sonhos, gerar o mínimo de possibilidade para o leitor de que aquilo poderia ser real. E nesse trabalho, os personagens são fundamentais.
Então, volto à pergunta do artigo sobre o anti-herói: por que os vilões estão tão em alta nos dias atuais? E retomo a resposta: Por que eles são o que temos mais próximo da realidade, de n[os mesmos. Não quero aqui fornecer uma concepção Hobbesiana, no estilo o homem é o lobo do homem. Não é essa intenção. Mas sim para chamar a atenção para o fato de que todos nós possuímos qualidades, mas também defeitos.
Esse artigo não tem como objetivo ser uma bandeira de defesa dos defeitos humanos, mas sim de mostrar o fato de que eles são partes de nós, numa justa medida com nossas qualidades. Negá-los, seria negar a nós mesmos. Por isso que os vilões são mais queridos, por que eles, de alguma forma, nos mostram lados nossos sem que necessariamente sejamos reprimidos por eles.
Algo que me fez pensar sobre o toma novamente foi quando terminei de assistir a série americana Vampire Diaries e perceber como o vampiro mal, Damon, tornou-se muito mais querido do público do que o vampiro bom, Stefan. Por que Damon é mais querido? Por que ele é um assassino? Alguém que possui um total desprezo pela vida humana? Não creio que essa seja a resposta. Mas talvez por que ele seja capaz de andar de um extremo ao outro.
Seu irmão, Stefan, é um personagem atormentado, que vive dilemas, que sofre desejos, mas é um personagem que vive com eles e em nenhum momento — ou então, em muito poucos momentos — comete deslizes. É Íntegro, é correto, respeitador, cavaleiro, educado, boa parca, inteligente. E blá, blá, blá. Nada contra essas qualidades. Muito bom para aqueles que as possuem, mas não seria um pouco demais colocar todas elas em um único indivíduo? É claro que existem pessoas integras, educadas, inteligentes no mundo, mas seria possível alguém ser perfeito e possuir todas essas características simultaneamente?
Acho que Stefan não foi o melhor exemplo a ser usado, pois uma coisa que o seriado demonstra — e isso eu acho um ponto extremamente positivo — é que ele também cometeu erros e também é capaz de deslizes. Então, vamos para outro exemplo: Uma vez encontrei uma comunidade no Orkut com os seguintes dizeres: Todos os homens deveriam ser Edward Cullen. Que lançava uma campanha para que nós, machos insensíveis portadores de falo, fôssemos mais parecidos com o personagem de Crepúsculo. E bem... desculpa acabar com os sonhos de vocês meninas, mas isso é impossível. Isso por que, para que sejamos Edwards Cullens teríamos que, antes disso, sermos mulheres.
Correndo o risco de ser apedrejado em praça pública ou queimado vivo em uma fogueira, devo dizer que Edward é sim uma mulher. Ele pensa como uma mulher, fala como uma mulher e age como uma mulher. Grande parte dos desejos, problemas e frustrações do público feminino foram passadas para esse personagem. Fora o fato de ele ser bonito, rico, multi-talentoso, educado, íntegro, galante, inteligente e blá, blá, blá... Talvez por isso (Talvez? É claro que é por isso!) ele seja tão popular, afinal, ele é a mistura do homem dos sonhos mais a melhor amiga. Quem poderia competir com isso?
Mas o problema é que quando um personagem se torna perfeito demais, ele não é mais um humano e sim um modelo. Um modelo esse que em 99,9999% dos casos é inatingível. Por isso nós homens, muitas vezes, não nos sentimos a vontade em torcer por ele. Para nós, o Jacob é muito mais legal, pois ele tem defeitos, mas são defeitos perdoáveis. Já ouvi muitas pessoas dizendo que nós homens não gostamos de Crepúsculo porque não gostamos de histórias de amor, porque não somos românticos. E isso é uma mentira. Pois vou confessar: Eu chorei vendo GHOST, me emocionei com as músicas de Mouling Rouge, torci pelo amor de Abelardo e Heloisa e... Vou parar por aqui antes que a coisa fique mais vergonhosa.
Mas o que quero dizer é que nós sim podemos gostar de arte romântica, mas só quando nos sentimos aptos a nos identificarmos com a personagem, a torcermos por ele como se estivéssemos torcendo por nós mesmos. E isso só é possível quando nos identificamos com essa personagem, quando vemos nele algo possível, algo real. Minha crítica principal contra os personagens perfeitos é essa. É claro que é legal pensarmos nos homens e nas mulheres dos sonhos. Isso é legal mesmo. Mas querer impor esses modelos para a realidade, aí não da certo.
Por isso um personagem como Damon é mais interessante, pois ele não é só defeitos, ele não é só maldade. Ele é capaz de fazer coisas legais, é capaz de ser bom. E ainda por isso, é irônico, é descolado, é um tanto canalha, qualidades essas que basicamente só um vilão pode ter. Ele é mal e também é bom e é isso que é ser humano.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

RPG


Para todos aqueles que me conhecem e/ou leram meu trabalho, sabem o quanto esse tipo de jogo influenciou na minha vida e produção literária. Para mim, esse não é só um jogo, mas também uma experiência de vida, que nos ensina não só a fantasiar e fugir da realidade, mas também a treinar a imaginação, a experimentar situações fictícias talvez nunca possíveis no mundo empírico e preparar a senso criativo.
Acredito sinceramente que sem esse Hobby, eu jamais teria sequer começado a escrever, pois muito do mundo de “O Véu” foi tecido graças a influência do World of Darkness de ‘Vampiro, a Máscara’ e ‘Mago, a Ascensão’, e também boa parte da ação e magia proposta é devida a grande criação que é o estilo 3D&T de Marcelo Cassaro. Esse serão mestres que sempre merecerão meu agradecimento.
Esse jogo entrou na minha vida por volta dos doze anos de idade e desde então não saiu. Mesmo agora, não o jogando, ainda lembro muito das horas empregadas e dos momentos cômicos e dramáticos que se fizeram. E mesmo sendo considerado um jogo de NERD (O que na verdade é mesmo. ^^), o fato é ele não deve ser menosprezado por isso.
O RPG me ensinou muito sobre a capacidade de criar mundos, mas, principalmente, devo a ele o gosto que me despertou para a literatura. Quanto mais eu jogava, mais e mais os livros de regras e de mundos de RPG me despertavam a atenção. E depois, quando passei a ser o narrador das histórias, logo esse gosto restrito se expandiu para todo e qualquer livro, aonde, a literatura fantástica obviamente ganhou uma atenção especial.
Conseqüentemente, do gosto pela literatura, veio a paixão pelos estudos, o interesse pela história e, enfim, o ingresso na universidade. Engraçado como as vezes um pequeno gosto pode reger suas escolhas na vida e levá-lo a adquirir um potencial nunca antes imaginado. Lembro que antes de jogar RPG, eu era um aluno  mediano, sempre tirando o suficiente para passar de ano, porém, depois, passei a ser um dos primeiros da turma. Boas lembranças.
Há quem diga que esse jogo é ruim, que influência as pessoas a cometerem atos escabrosos, como casos de assassinatos em massa ou sacrifícios em nome de rituais mágicos. Mas francamente, qualquer pessoa perturbada o suficiente para fazer algo do tipo, não precisa de RPG para influenciar nada.    
Resumindo, minha proposta aqui nesse curto artigo foi o de dividir com vocês uma das minhas grandes paixões e também o de levantar a bandeira em nome dos “RPGistas” de plantão. Continuem jogando! É muito melhor que ver televisão ou jogar vídeo game, pois este, ao contrário dos outros dois, não mata os neurônios.  Rsrs.