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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Opiniões de quem já leu O Véu - Volume 1


Saudações colegas. 
Estando "O Véu" em processo de publicação, decidi postar aqui as opiniões, críticas e comentários daqueles que já me honraram com sua paciência e dedicação ao se debruçarem sobre meu trabalho.
Gostaria imensamente de agradecer a todos esses que me ajudaram lendo, comentando e divulgando este livro que me deu muito prazer em escrever. E espero ter proporcionado e ainda proporcionar a mesma alegria nos seus leitores.
E, logicamente, mais um agradecimento especial à Editora Subtítulo, que realizou este sonho.

Seguem os sites parceiros:

  




 





 E mais o site de relacionamentos SKOOB


Muito obrigado a todos


Willian Nascimento




 P.S. Aqueles que tenham resenhas e outras publicações referentes ao livro, podem me enviar que com muito prazer publicarei aqui no blog



terça-feira, 3 de julho de 2012

Resenha: O morro dos ventos uivantes, de Emily Bronte


Ainda não tive a oportunidade de testemunhar alguém que pudesse contar uma história capaz de mesclar amor e ódio de forma tão bela quanto Emily Bronte. “O morro dos ventos uivantes” é sem dúvidas um trabalho genial, com personagens dos mais diversos tons, capazes de nos comover tanto pelas suas virtudes quanto por seus vícios. As histórias de amor, apesar de agressivas, conturbadas, mechem com o leitor e eu fiquei completamente perdido sem saber para quem torcer e como deveria ser o final apropriado para a obra.
O livro se empenha em contar a desgraça da família Earnshaw, que após adotar um jovem filho de ciganos tem suas vidas gradativamente modificadas. A história nos é em grande parte narrada através da governanta da família, a senhora Ellen Dean, que recebe um viajante em uma das casas da família de Heathcliff (o garoto cigano que consegue tomar para si todas as posses da família que o adotou) e resolve lhes contar a saga de Catherine e seu patrão. Seus encontros e desencontros, tensões e afetos.
Heathcliff é sem dúvidas um personagem rico do ponto de vista literário, capaz de despertar no leitor amores e ódios tão intensos que o livro sangra de tanta paixão. Ele não é herói, também não é vilão, não é vitima, mas também não é simplesmente algoz. Heathcliff transita entre os dois polos de forma magistral, carregando a amargura e a dor de sua história de formas tão intrínsecas em seu ser que o leitor, por mais que apresentado a suas maldades, não consegue desprezá-lo por completo.
A narrativa do livro é densa. O primeiro capítulo é uma verdadeira prova de fogo, que exige do apreciador paciência para se acostumar com a forma de enredo de Bronte. Todavia, passando assim as primeiras páginas, o aventureiro poderá ir se adaptando a dureza do trabalho e com certeza apreciará o resultado. Recomendo fortemente este livro, um clássico que durante um tempo ficou esquecido, mas que renasceu ao grande público graças aos romances de Meyer. Quem diria que “Crepúsculo” nos traria algo de tão importante?

Resenha: Rato, Luís Capucho.


Apresentando-nos uma realidade bem próxima daquela própria do naturalismo brasileiro, o “Rato” de Luís Capucho pode vir a ser indigesto para estômagos fracos. Com um ambiente degenerado, sujo, personagens sem grades valores morais, o projeto do livro procura colocar-nos diante de nossa própria animalidade, do lado mais visceral do ser humano.
Confesso que não sou muito fã deste tipo de perspectiva, que considera o homem fruto do meio e não leva em conta valores individuais. Todavia, devo dizer que a proposta foi bem atendida. A personagem principal é um carioca, morador do Centro do Rio de Janeiro, habitando um cortiço que divide com sua mãe e muitos homens, que pagam o aluguel. Nosso protagonista, com uma sexualidade enrustida, percorre os ambientes mais vazios, obscuros e abandonados para poder dar vazão aos impulsos do seu corpo. Sem se importar com o parceiro ou as condições higiênicas do local, ele se entrega ao prazer carnal com homens dos mais diversos tipos. Sempre casual, até a chegada de Plínio, um novo morador da cabeça de porco.
A relação que se desenvolve entre os dois não pode ser chamada de um romance, não ao menos se tomarmos como padrão os que já estamos acostumados. É uma relação terna, sem pieguices, sem grandes momentos de clímax, mas estável e fiel. Nesse momento o autor nos convida a pensar, mesmo que de forma indireta, na própria natureza dos relacionamentos. Alguns, sem grandes perspectivas, sem momentos de romantismo, mas sem dúvidas sinceros a sua maneira.
Outra temática que se desenvolve no texto de Capucho é a sexual. Nela, o autor explora parte dos desejos humanos, suas taras mais inconfessáveis, ocultas, enrustidas e a capacidade de nos metermos nos ambientes mais insalubres para saciarmo-nos, quando as condições tidas naturais não nos são apresentadas para por em prática nossos desejos. Foi uma boa tentativa a de por para pensar acerca desse ponto do desejo sexual, mas admito que achei que ele poderia trabalhar melhor este momento.
Não gosto de fazer comparação entre livros quando resenho, mas não pude deixar de aproximá-lo da “Casa dos Budas Ditosos”, de João Ubaldo Ribeiro. Pois os dois tocam neste mundo instável, que pode repelir as mentes mais conservadoras. T|odos tentam andar por esse terreno acidentado que diz respeito a todos, mesmo que de forma inconfessável. Entretanto, acredito que Capucho não foi tão bem sucedido nesta tarefa. Pois se nossa incursão pelo mundo dos “Budas Ditosos”, apesar de chocar, ainda nos permite momentos de prazer intelectual dignos de nota, “Rato” não nos oferece o mesmo.
Pois nosso protagonista, apesar de entrar menos de cabeça no mundo da sua sexualidade que nossa promiscua Valentina, ainda assim a forma como suas aventuras nos é narrada não nos permite desfrutar de maneira plena de sua experiência. Fica mais difícil não julgar o rato, não achá-lo de certa forma desprezível, sujo. E os momentos em que ele tenta justificar seus impulsos ainda não são tão bem elaborados quanto os de Valentina. Deixando ao leitor pouca margem para se envolver com o personagem, reconhecendo-o como um indivíduo válido e aceitável.
Enfim, digo que saí da leitura de rato reconhecendo o valor de sua proposta, mas ainda assim desgostoso quanto a maneira como ela é aplicada. Provavelmente o autor pouco vai se importar com isto, pois acredito que este foi seu real objetivo: deixar aquele nó no estômago quando chega-se as páginas finais. Porém, ainda sim tenho que mostrar meu descontentamento quanto ao método empregado.